sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Sobre a institucionalização de idosos com Doença de Alzheimer


Sempre fui relutante quando o assunto era a institucionalização de idosos, ou, em outras palavras, colocá-los numa casa de repouso. Sempre achei que isso não era uma atitude correta e que jamais seria capaz de colocar uma pessoa que amo num lugar desses.

Porém, muita coisa mudou na minha forma de enxergar as coisas.

Após passar por todas as dificuldades que passamos com meu avô, insuficiente renal, e agora com a minha avó, que encontra-se num estágio moderado de Alzheimer, afirmo com todas as letras que sou 100% a favor da institucionalização de idosos com algum tipo de demência. Só quem já passou por uma situação parecida sabe o quanto tudo pode se tornar insustentável e como um idoso com Alzheimer pode acabar com a saúde física e mental de todos ao seu redor. É o que está acontecendo atualmente com a minha família.
Minha mãe, filha única, é a única cuidadora "oficial" da minha avó. Meu pai a ajuda em tudo que pode, e eu, sempre que posso, viajo para passar uns dias por aqui e ajudar, mas, no geral, quem fica com a pior parte é a minha mãe. E ela está visivelmente esgotada. 
Minha mãe sempre foi relutante sobre colocar um de seus pais numa casa de repouso, porém, atualmente, creio que, se tivéssemos condições financeiras, ela aceitaria.
E aí entra o maior problema da história: dinheiro. Sempre o maldito dinheiro!
O salário dos meus pais (e o meu também!) não dá conta de pagar a mensalidade de uma casa de repouso, e minha avó recebe apenas 1 salário mínimo de pensão do meu avô. Aqui na cidade existe somente uma casa de repouso particular e a mensalidade gira em torno de 2500 reais mensais, fora o custo com medicação, fraldas e outros gastos pessoais. Ou seja, inviável! Para manter minha avó num lugar desses, teríamos que vender algum imóvel e, mesmo assim, correndo o risco do dinheiro acabar enquanto ela ainda estiver viva. 
Por enquanto não conseguimos encontrar uma alternativa. A ideia era encontrar uma pessoa para cuidar da minha avó ao menos numa parte do dia, para que, dessa forma, minha mãe possa descansar um pouco. A M., faxineira da casa dos meus pais, aceitou ajudar ficando com a minha avó alguns dias, mas ainda assim será muito pouco. O ideal seria contratar alguém para ficar pelo menos umas 12h por dia com a minha avó. O problema é que os cuidadores de idosos cobram muito caro e poucos aceitam cuidar de um idoso com Alzheimer como a minha avó: extremamente agressiva, depressiva e de personalidade difícil.
Por hora vamos levando como for possível, mas não sei até quando minha mãe suportará essa situação.
A conclusão que tiro disso tudo é que sim, a institucionalização de idosos com Alzheimer é a melhor solução! Mas, infelizmente, isso custa caro. Acho que o governo deveria dar um suporte em situações como essa, porém, todos estamos cansados de saber que o governo brasileiro está pouco se lixando com a saúde, especialmente com os idosos.

Ontem, após um dia difícil e uma noite complicada (minha avó teve um acesso de sonambulismo e agressividade e não queria ficar na cama), comecei a cogitar seriamente a hipótese de arrumar dinheiro para institucionalizar minha avó. Talvez, se eu arrumar outro emprego, possa usar esse dinheiro para ajudar meus pais a pagar a mensalidade. Estou pensando numa solução, pois, do jeito que as coisas estão, ninguém suportará por muito tempo. Tenho muito medo que minha mãe também surte.

E assim é a nossa vida e de outras famílias com idosos com Doença de Alzheimer e outros tipos de demência.



Um comentário:

Angela disse...

Maíra, eu tb nunca pensei na possibilidade de colocar minha mãe em uma clínica, mas foi inevitável, eu tb sou a única filha mulher, meu irmão mora em Manaus, sou viúva e só tenho uma filha de 24 anos, minha mãe ficou um mês no hospital e como eu trabalho precisei contratar cuidadoras pra ficar com ela, não consegui particular tive que contratar empresa e é mto caro. Enfim, justamente pensando que pra mim e pra minha filha seria humanamente impossível cuidar, a única alternativa foi colocá-la em uma clínica, não é fácil, mas tenho certeza que foi a melhor solução para nós e para ela. Podemos visitá-la a qualquer hora, mas ela nem lembra, ela não sabe direito onde está, pensa que está no hospital fazendo tratamento.